Neste verão tem chovido bastante
- A cântaros
dizia o velho moço
da rua de trás -
essa cidade é totalmente
sem graça
sem você
sem sua presença
você arruma sua bagagem
e some para sempre
na parte sudoeste
desse continental país
volto pra casa chutando
pedras pontiagudas
se ao menos ferisse
meu pé calçado
protegido por uma bota antiga
mas não
dói em toda parte
menos meus maléolos desmembrados
é uma longa distância
até o centro
onde vc está sorrindo
- eternamente -
na fotografia
que carrego no celular
não tiro do bolso agora
porque a cidade perigosa
vai me fazer perder ainda mais
& tem as gotas de chuva
que enferrujam
tudo
estragam a parte eletrônica
do meu toque digital
Anteontem vc perdeu seu pai
esta manhã você se foi
fico aqui - agora - perambulando
até chegar ao ponto
estaciono meus pés numa poça
vejo minha figura contorcida
por um momento cantarolo uma canção
lembro de vc gargalhar
de minha voz
estranha
Neste janeiro
cinzas
pela
quente janela
amolecem meus ventrículos
cefalorraquidianos
quando na verdade
eu queria dizer:
estilhaçam
meu abandonado
coração
Rodrigo Chagas
17/01/26
The Lonely Life Of The Lonesome Cowboy Bill
sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
domingo, 16 de novembro de 2025
Dezembro
Andei pensando...
contar pros meus amigos
meu plano em deixar de existir n´um
Dezembro...
Eles falam que é uma época ruim
pra morrer...
pessoas viajam
funeral vazio
estragar a ceia
de dezenas
de pessoas...
pensei então
que tal em fevereiro?
Pro inferno o rei momo
& suas lantejoulas...
Maio
Estouro um calo
com uma água amarelada
minha mãe compra um presente
pra mim
transbordo
de infinita alegria
eterna...
Penso em abril,
como a chuva poderia estragar
meu enterro
e pouca gente iria
ao adeus final...
Um fiapo de manga verde prende
em meu dente & descubro uma nova
cárie
+ $ que se vai embora...
minha noiva me deixa,
O Bahia perde domingo,
segunda torço o tornozelo
jogando bola,
um mês de molho & muletas...
Na poltrona
ligo o televisor
uma mulata do Sargentelli
samba calorosamente em cima d´um salto Luís XV
- & em minha dignidade acima do peso -
começo a pensar em gostar de carnaval...
porém podem pensar que sou um pervertido
chauvinista.
Levanto sem apoio,
caio de cara no chão,
por sorte o dente não cai & a cárie continua
Penso nas pessoas que se foram...
Realmente
não consigo lembrar de ninguém
que se foi no último mês do ano
Talvez eu devesse realmente
pensar + no que meus amigos
aconselham...
Batem na porta
- mancando -
levanto pra ver quem é.
Rodrigo Chagas
16/11/25
domingo, 26 de outubro de 2025
Rascunho
d´um decadente parque de diversões
Com espingardas de ar comprimido enferrujadas
Estilhaçando
velhos Cascos de cervejas
vazias
Vejo você
- lá no alto -
Sorrir
A roda-gigante
Para no firmamento
Luzes de néon de antigos prédios
- concretizados -
Distorcem seu sorriso
Enquanto Você acena pra mim
Juntamos alguns trocados
Moedas de cobre
Durante a semana
Para achar Alguma diversão
E aturar
Os falsos sorrisos
semanais.
8 horas por dia
Enquanto eu gostaria
de estar deitado contigo
Alisando seus Calcanhares...
2.400 minutos de angústia
& Desespero
Para chegar em casa,
te ver deitada na cama
Acariciando Nosso felpudo Animal
Suportar o Cotidiano
Pra ver suas Córneas Brilhando
ao Barulho
Da porta Descolando do batente de mármore
do bairro Oriental
Da cidade mais setentrional
Do seu
- ponderoso -
coração.
Rodrigo Chagas
26/10/25
sexta-feira, 17 de outubro de 2025
quinta-feira, 14 de agosto de 2025
Sempre não chegamos
nos lugares
errados
nos piores momentos?
para que se preocupar agora...
Não estivemos perdidos
todos esses anos
tempos devastados
áridos oceanos
de poeira cósmica?
Sempre mentimos pr´a nós mesmos
que conseguiremos depois
só para ter que dormir
um sonho digno
ao acordar
com a cabeça latejando
com o despertador
gritando
para despertar.
Pra que temer?
é um beco sem saída
para que tudo leve
quem sabe
...ao dobrar a esquina - asfaltada...
o sol não brilhe novamente
através
da
- velha -
nuvem carregada
de trovões
& tempestades.
Rodrigo Chagas
14/08/25
sexta-feira, 1 de agosto de 2025
Você & eu
ouvindo
as bétulas
despedaçadas
Quem diria
que um dia
estaria tão velho
gordo e careca
quanto o velho Syd
vc abandona minha mão
a velha crepitante fogueira
luta
contra a imensa escuridão
vc corre nua até o lago
vejo a penumbra
afastar a doce lua
seus quadris se engasgam
minha garganta se contorce
o verde céu
o mar de jade
uma velha piada
um dente que se parte
uma mão que se estende
gritando adeus
zumbidos que matam o ensurdecedor silêncio
um solo que beija
uma cabeça caída no chão
sou apenas alguém
perdido
por atenção...
e nem assim você notaria
o fechar da porta
das moscas
vagueando
pelo salão
principal.
Rodrigo Chagas
01/08/25.
terça-feira, 1 de julho de 2025
Poema Inacabado
sobre o orvalho
da grama verdejante
n´um amanhecer domingueiro.
Você disse que me amaria
no 4o ano da sexagésima década
de nossa
vida...
& que Paris...Paris sempre seria nossa.
Uma empoeirada moldura quebrada
- de plástico da avenida 7 -
emula
um velho quadro
do século passado...
...escreveríamos
numa velha máquina
desdentada
de datilografar...
Borrada...Limpo a velha teia fotográfica
- abafada -
emoldurada
do eterno
outono
quente
que
nunca
acontecerá
novamente.
Rodrigo Chagas
02/07/25.