Nossos pés descansam
sobre uma grama sem cor
ressecada
depois de dançarmos a noite inteira
alguma canção
de alguém que nem existe mais
alguma lembrança surge
em minha caduca memória
solto uma gargalhada leve
vc sorri e me pergunta o que foi
coloca as mãos na sua boca
joga a cabeça para trás
seus cabelos negros balançam
não resisto e compartilho
contigo
uma velha anedota
que minha avó contava
numa cama de cetim
cor de rosa
que acariciava meu corpo
enquanto ela me ninava
e dormiríamos
até o sol tocar nossos narizes aduncos
porém
ver seu sorriso apaga tudo
de minhas lembranças
queria te convidar para mais uma valsa
porém sei que minha timidez vai
mais uma vez ferrar com tudo
levanto
te abraço
volto pra casa cabisbaixo
olhando o resto da grama marrom
nos meus sapatos
pego um coletivo
lotado de pessoas
que passarão
toda a existência
desperdiçando
carinhos
carícias
trabalhando
a vida toda
para Deus sabe o quê
ao final do mês
arrotar
sua
arrogância
comprando algo que não vale
a metade
do suor gasto
suportando
toda falsidade
monetária
e falso coleguismo
& eu?
nem sei ao menos se
terei a chave
de casa nos meus bolsos
para abrir a porta
de casa
nem do seu pretenso coração
não há você
colchas de cetim
lembranças da materna vó
seguro os pulmões
até arrebentaram
um sorriso
que devasta
o resto da grama
deixada ao longo do caminho.
Rodrigo chagas
27/04/26
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