sexta-feira, 7 de agosto de 2026
terça-feira, 23 de junho de 2026
Minha cabeça arde
Minhas narinas explodem
Um largo
Sorriso
Emoldurado
Na parede
Esburacada
Acena para mim
Minhas mãos se movem
até a cozinha
Acendem
as luzes
Que não servem pra nada
...mais...
Derrubo um copo americano
A água espatifa-se por todo o teto
Goteiras
Se unem
E pingam
Sob meus pés
Alguém me
Chama
Corro até o banheiro
Me escondo
Abaixo da pia
Escorre a água
E o rio passa
Sem alagar
As minhas meias
Encharcadas
Do seu
- breve -
adeus...
Rodrigo Chagas
23/06/26
segunda-feira, 8 de junho de 2026
Você me fez rir
mesmo
quando
o frágil
cristal
estatelou-se contra
- o duro -
solo
do
chão
frio & rubro
acimentado
da minha - velha - casa
uma rara
taça
Fratelli Vita
da coleção
herdada por minha mãe
abriu-se uma linha tênue
& vi você
afastando-se
rumo ao oriente
contrário
a minha direção
perdeu-se
Tenho sentido
uma solidão
dilacerante
nessa região torácica
do lado esquerdo
onde dizem se
localizar o coração...
Seu sorriso
salva-me
a madruga
seus longínquos
olhos
que nunca sei
a real coloração
- e quem se importa -
perco-me neles
por horas
séculos
dias...
Desperto
não ouço seus abraços
fecho a janela
na esperança
que jogue uma pedra
no meu ventrículo
quebrando a vidraça
do frio vento junino
de minha
outonal
esperança...
Rodrigo Chagas
08/06/26
sexta-feira, 29 de maio de 2026
segunda-feira, 27 de abril de 2026
Nossos pés descansam
sobre uma grama sem cor
ressecada
depois de dançarmos a noite inteira
alguma canção
de alguém que nem existe mais
alguma lembrança surge
em minha caduca memória
solto uma gargalhada leve
vc sorri e me pergunta o que foi
coloca as mãos na sua boca
joga a cabeça para trás
seus cabelos negros balançam
não resisto e compartilho
contigo
uma velha anedota
que minha avó contava
numa cama de cetim
cor de rosa
que acariciava meu corpo
enquanto ela me ninava
e dormiríamos
até o sol tocar nossos narizes aduncos
porém
ver seu sorriso apaga tudo
de minhas lembranças
queria te convidar para mais uma valsa
porém sei que minha timidez vai
mais uma vez ferrar com tudo
levanto
te abraço
volto pra casa cabisbaixo
olhando o resto da grama marrom
nos meus sapatos
pego um coletivo
lotado de pessoas
que passarão
toda a existência
desperdiçando
carinhos
carícias
trabalhando
a vida toda
para Deus sabe o quê
ao final do mês
arrotar
sua
arrogância
comprando algo que não vale
a metade
do suor gasto
suportando
toda falsidade
monetária
e falso coleguismo
& eu?
nem sei ao menos se
terei a chave
de casa nos meus bolsos
para abrir a porta
de casa
nem do seu pretenso coração
não há você
colchas de cetim
lembranças da materna vó
seguro os pulmões
até arrebentaram
um sorriso
que devasta
o resto da grama
deixada ao longo do caminho.
Rodrigo chagas
27/04/26
sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
Neste verão tem chovido bastante
- A cântaros
dizia o velho moço
da rua de trás -
essa cidade é totalmente
sem graça
sem você
sem sua presença
você arruma sua bagagem
e some para sempre
na parte sudoeste
desse continental país
volto pra casa chutando
pedras pontiagudas
se ao menos ferisse
meu pé calçado
protegido por uma bota antiga
mas não
dói em toda parte
menos meus maléolos desmembrados
é uma longa distância
até o centro
onde vc está sorrindo
- eternamente -
na fotografia
que carrego no celular
não tiro do bolso agora
porque a cidade perigosa
vai me fazer perder ainda mais
& tem as gotas de chuva
que enferrujam
tudo
estragam a parte eletrônica
do meu toque digital
Anteontem vc perdeu seu pai
esta manhã você se foi
fico aqui - agora - perambulando
até chegar ao ponto
estaciono meus pés numa poça
vejo minha figura contorcida
por um momento cantarolo uma canção
lembro de vc gargalhar
de minha voz
estranha
Neste janeiro
cinzas
pela
quente janela
amolecem meus ventrículos
cefalorraquidianos
quando na verdade
eu queria dizer:
estilhaçam
meu abandonado
coração
Rodrigo Chagas
17/01/26