quarta-feira, 15 de julho de 2020

Semana-Santa (Conto)



Uma coruja branca passa fazendo um estranho barulho por cima de minha casa.


Grita minha mãe:


- Valha-me Deus meu filho, é a rasga-mortalha!!! 

Quando passa por cima da casa de alguém fazendo barulho é que alguém da família vai morrer!!!!

Moro na casa em que nasci e já passou tanta rasga-mortalha por cima de casa, que teria que morrer umas cinco gerações de minha família depois de mim pra dar conta de um monte de morte anunciada.


Um caixão de vidro carregando uma imagem de Jesus morto passa em minha rua, junto com um cortejo fúnebre de beatas, romeiros e monges com capuzes abaixados...vejo tudo pela portinhola de minha casa...saio correndo pro meio das pernas de minha mãe...trêmulo...ela fala que é tudo de mentirinha, representação, nessa hora uma rasga-mortalha passa chiando por cima da casa e o vidro do caixão se quebra.


Rodrigo Chagas

25/04/19

sábado, 9 de maio de 2020

terça-feira, 31 de março de 2020

Não há passos na rua de cima Apenas eu & Clarabela caminhamos com nossas 6 patas em calçadas que nem sabemos se estão contaminadas. O velho senhor esfarrapado & barbudo não está mais dobrando a esquina com seu cartaz anunciando a aproximação do fim. Talvez o recado tenha sido dado ou o medo escatológico congelou seus pés...imobilizando-o. Ou tenhamos que dizer mesmo...adeus. Solto a coleira Clarabela corre através da grama - sorridente. Rodrigo Chagas 31/03/20.

domingo, 2 de fevereiro de 2020

2 Poemas e 2 Dúvidas:

Depois que tu for embora
Eu ajeito as coisas.
Arrumo a cama
Dobro o lençol.
Tiro a poeira da mente
& lavo os panos..

Não ligo a canção do Roberto,
Deixo o sol tirar o mofo.

Depois que tu for embora
Eu abro a porta e saio...

Rodrigo Chagas
02/02/20.


Ou


Depois que tu for embora
Eu ajeito as coisas.

Arrumo a cama,
Dobro o lençol.
Tiro a poeira da mente
& lavo os panos...

Não ligo a(quela) canção do Roberto.

Deixo o sol tirar o mofo.

Coloco pra fora os papéis do armário
E o luto da gaveta.

Solto o coque
E tiro os longos cabelos.

Depois que tu for embora
Eu abro a porta e saio...


Rodrigo Chagas
02/02/20.

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

sábado, 15 de junho de 2019

A dor só triunfa belamente na arte...


Rodrigo Chagas.
15/06/19.

Após assistir uma sessão de "Cyrano de Bergerac" no cinema.



domingo, 17 de março de 2019

Eu tenho: Medo.


Eu tenho Medo.
Medo de que a gente não dê certo,
Medo de não arrumar um emprego,
Medo de que a madeira podre do telhado caia,
que as paredes com vigas enferrujadas caiam
sobre nosso pés descalços.
Medo de não ter grana para consertar a casa
e meus pulmões.
Medo da morte dos meus pais,
Medo da nossa morte,
Medo de sonhos ruins
e de morrer dormindo
no meio de um pesadelo
e não ter como gritar desesperado
para que vc me sacuda
e me acorde com um abraço.
Tenho Medo de que o Bahia não
leve o(s) campeonato(s)
e caia para  inferiores divisões.
Medo de chutar o chão e um pedaço
do meu dedão - ensanguentado - fique
na minha rua de paralelepípedos,
exatamente na hora de marcar o gol,
e assim termino perdendo a oportunidade
de empatar a partida quando tive - A Grande - chance.
Tenho medo, medo, MEDO!
De tod@s e até mesmo de mim e de meus tenebrosos Medos.
Esse poema deveria terminar com algo belo e grandioso,
como uma salvação
- redenção -
mas tenho Medo
de que eu não consiga.

Rodrigo Chagas
17/03/19.