quarta-feira, 15 de julho de 2020

Psico (conto).



Quando eu era menino, um rapaz que paquerava a moça que trabalhava lá em casa, me levava pra tomar tubaína e comer sanduíche de mortadela lá no bar de bené...não pense que é essas mortadela de barão lá de SP...é mortadela fuleira e deliciosa daqui da Bahia mesmo...barata, hoje em dia, mas na época num era assim tão fácil de se ter todo dia não...um menino que come um sandubão de mortadela e bebe uma garrafa de tubaína inteirinha sozinho, pode conquistar o universo...menos o campeonato da rua que perdemos com a maldita bola cruzada que João Carlos deu uma bicuda e a trave quebrou e se não fosse isso era gol e éramos campeões tricolores...como éramos todos amigos, rachamos a tubaína comprada em Bené pra todo mundo...Só Jesus sabe como foi esse milagre...mesmo os 6 meninos restantes que ficaram até a última partida do Babá, uma garrafa só não ia dar pro gasto...mas deu...deve ter sido uma golada só...o jogo terminou 0 x 0, o pior de tudo é que perdemos pro Flamengo, um time rubro-negro, maldição, ainda bem que não foi pro time baiano das mesmas cores, o nosso maior rival, acho que rolaria um suicídio em pleno Maracascalho, nosso campo que era na rua de paralelepípedo, botava veneno na tubaína, ou morria de desgosto mesmo...não lembro agora se eles jogavam pelo empate ou se foi pras penalidades, se foi certamente eu perdi, nunca soube bater penalti, perdi todos que bati na vida, por isso, bati poucos, já sabia que não daria certo, antevia o fracasso, portante, dava um jeito de não chutar...perder campeonato por causa da sua penalidade perdida é frustração por toda vida...por isso acho que perdemos nos penaltis, foi por causa da vantagem deles no empate...senão, seu eu fosse derrotado porque perdi o pênalti, certamente hoje eu estava preso num manicômio judiciário...pois teria arrancado as tripas do meu pai, comido o coração de minha mãe, arrancado a cabeça de minha irmã e saído pelas ruas de paralelepípedo do bairro de Roma nu em pêlo e gritado um monte de sandice bem alto e não duraria umas quadras antes de me prenderem...perdemos justos...no tempo normal...pela vantagem deles...e apesar da derrota o arroto da tubaína gelada saiu bem alto e divertido...éramos amigos...derrota pior estava por vir anos mais tarde quando viramos adultos.


Rodrigo Chagas

25/04/19

Semana-Santa (Conto)



Uma coruja branca passa fazendo um estranho barulho por cima de minha casa.


Grita minha mãe:


- Valha-me Deus meu filho, é a rasga-mortalha!!! 

Quando passa por cima da casa de alguém fazendo barulho é que alguém da família vai morrer!!!!

Moro na casa em que nasci e já passou tanta rasga-mortalha por cima de casa, que teria que morrer umas cinco gerações de minha família depois de mim pra dar conta de um monte de morte anunciada.


Um caixão de vidro carregando uma imagem de Jesus morto passa em minha rua, junto com um cortejo fúnebre de beatas, romeiros e monges com capuzes abaixados...vejo tudo pela portinhola de minha casa...saio correndo pro meio das pernas de minha mãe...trêmulo...ela fala que é tudo de mentirinha, representação, nessa hora uma rasga-mortalha passa chiando por cima da casa e o vidro do caixão se quebra.


Rodrigo Chagas

25/04/19

sábado, 9 de maio de 2020

terça-feira, 31 de março de 2020

Não há passos na rua de cima Apenas eu & Clarabela caminhamos com nossas 6 patas em calçadas que nem sabemos se estão contaminadas. O velho senhor esfarrapado & barbudo não está mais dobrando a esquina com seu cartaz anunciando a aproximação do fim. Talvez o recado tenha sido dado ou o medo escatológico congelou seus pés...imobilizando-o. Ou tenhamos que dizer mesmo...adeus. Solto a coleira Clarabela corre através da grama - sorridente. Rodrigo Chagas 31/03/20.

domingo, 2 de fevereiro de 2020

2 Poemas e 2 Dúvidas:

Depois que tu for embora
Eu ajeito as coisas.
Arrumo a cama
Dobro o lençol.
Tiro a poeira da mente
& lavo os panos..

Não ligo a canção do Roberto,
Deixo o sol tirar o mofo.

Depois que tu for embora
Eu abro a porta e saio...

Rodrigo Chagas
02/02/20.


Ou


Depois que tu for embora
Eu ajeito as coisas.

Arrumo a cama,
Dobro o lençol.
Tiro a poeira da mente
& lavo os panos...

Não ligo a(quela) canção do Roberto.

Deixo o sol tirar o mofo.

Coloco pra fora os papéis do armário
E o luto da gaveta.

Solto o coque
E tiro os longos cabelos.

Depois que tu for embora
Eu abro a porta e saio...


Rodrigo Chagas
02/02/20.

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

sábado, 15 de junho de 2019

A dor só triunfa belamente na arte...


Rodrigo Chagas.
15/06/19.

Após assistir uma sessão de "Cyrano de Bergerac" no cinema.