segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022
Texto que saiu no Site Olho Público.
"Sputter topa escrever uma coluna para o Olho Público?"
Foi assim o convite.
Aceitei na hora.
"Claro! Será uma honra, 'tiro de letra´, escrever sobre qualquer coisa é comigo mesmo...e a periodicidade é escolha minha? Pelo menos quinzenalmente? Oxe...só se for agora".
Pois "me enganei", a primeira coluna não seria isso que vos escrevo, seria outra cousa, logo eu que nunca me atraso em compromissos (teoricamente não me atrasei, estou aqui, tão vendo?), embora muita gente pense o contrário sobre isso...mas sempre faço tudo no prazo...quer dizer...acho eu...
Não foi um medo congelante que me paralisou, nem uma procrastinação ad eternum (o que seria um pleonasmo certo?)...o que foi que se aconteceu?
Não sei ao certo...viver "pequenos" momentos de prazer...perda de tempo em coisas fúteis (outro pleonasmo?)...vai saber...mas não rolou o que eu pensava...para a próxima coluna irá rolar?
Quem sabe...será melhor que essa? + original...quem sabe...outra dose por favor...eu que nem sou de beber...e nem de atrasar nas entregas...sou um tipo de "Pony Express" do sertão baiano...porém que na verdade vive a léguas & léguas de qualquer tipo de caatinga...vivo a beira mar praticamente...vigiado pelo Senhor do Bonfim...logo ali na colina sagrada...essa alegoria sertaneja não serve...sou mesmo um atemporal da cidade-baixa...bukóliko...mas não um atrasa lado...e nem coluna...eis aqui...ela...
Penso em Hunter Thompson, com uma viseira de poker, mastigando uma cigarrilha no canto da boca, chapado, dentro de uma banheira...bebericando algo...cortando toranjas...aqui em casa tem uma banheira verde...que não uso há uns 20 anos...não sou um hipster datilografando essas palavras...uso laptop...não possuo uma colt 45 para atirar nos morcegos imaginários Thompsianos...nem sou a favor de armentos & etc...gostaria de ver o que Hunther ou William Burroughs falariam para defender as armas...certamente eles colocariam de forma poética...porém não nasci no meio de cowboys e guerras geracionais...nem posso bebericar nada...hoje tomei hoje a minha 2a dose da Pfizer...dizem que não é bom beber...aliás...nem um grande bebedor eu sou...um sacrilégio falar isso no mesmo "parágrafo" onde cito Mr. Thompson...mas seria uma boa brindar a esse momento...que fora emocionante...peguei a bike...sai de Roma (em Salvador-Bahia mesmo), pedalei pela Calçada (o bairro, não em cima do passeio...se bem que passeio é só aqui na Bahia, em outros locais é denominado de calçada, e nessa cidade Soterópolis é também um bairro)...passei pelo Comércio, subi o Túnel Américo Simas...continuei pela Barroquinha (perto da Baixa do Sapateiros, onde a morena + frajola da Bahia negou um beijo ao velho Ary...Barroso)...e finalmente adentrei a nova Fonte Nova...que emoção...eu que não perdia um jogo do Esporte Clube Bahia nessa cidade desde Abril de 2016, não adentrava no estádio desde o começo da pandemia...que emoção...o verde campo...a vacina...o SUS (viva)...#forabolsonaro...poder estar mais seguro contra um vírus (& o desgoverno) que levaram centenas de milhares de pessoas nesse país...e no mundo...não pude brindar com uma cerva...nem como um gol...mas foi emocionante....
Estou aqui...às quase 4 da matina...careca que nem o Hunter...ficando velho...esperando o dia raiar para essa coluna sair...esperando dias menos piores do que os antes da terrível pandemia...poder sair as ruas...tocar...bater um baba...ir num jogo...encontrar as pessoas...viver um pouco...lembro do grande João Antônio, cujo livro "Todos os Contos", que paira na minha estante, lançada pela extinta Cosac Naify (aliás esse livro tá tão caro quanto o preço da gasolina, porém tá mais "barato" do que dantes, a cultura baixa...a gasolina não, mas eu ando de bike mesmo)...penso no que o grande mestre João falaria agora..."Saia da redação, ponha uma bermuda...sinta os pés na areia...procure um boteco aberto...sempre tem um...beba uma dose...não esqueça a do santo...toma uma cerva...celebre a escrita e a vida"...
Vou tentar mestre Antônio, só que a essa hora...sair pela cidade-baixa, procurando um boteco aberto...não é para os fracos que nem eu...vou usar a vacina como desculpa...celebro a vida...e fiquem com as letras aqui...as palavras...semana que vem...ou na outra...procurarei escrever algo e colocarei aqui...assim espero...estar aqui...e você também!
Rodrigo Chagas 14/09/21
sábado, 4 de dezembro de 2021
As Mercenárias.
Em Março desse ano, minha grande amiga, Sandra Coutinho, que dentre muitas coisas na música foi baixista da lendária banada paulista, As Mercenárias, me pediu para escrever um texto sobre a banda, pois ia sair na Europa um disco delas, na verdade não sabia que ia ser um relançamento em Vinil do 1o disco delas...sábado passado, ela me enviou um áudio dizendo que saiu o vinil e me enviou uma foto da parte do encarte...disse também que minha cópia está guardada, vou ver como será a logística de trazer esse vinil de SP para Salvador...eu fiz o texto creio que em cinco minutos...sentei e escrevi e nem revisiei...enviei para ela, abaixo eu nem revisei, apenas corrigi alguns erros de digitação...queria colocar aqui como ele - o texto - veio num fluxo de ideias...O Vinil saiu num selo espanhol, colocarei o link do selo gringo abaixo...achei que o texto sairia em espanho, mas na verdade saiu em inglês, eu havia pedido que me enviassem o texto para eu dar uma lida na tradução...porém isso não aconteceu...espero que não tenham comprometido a ideia...depois, quando o vinil chegar, darei uma olhada no texto...espero que gostem.
Link do Selo para quem quiser comprar o vinil, soube que o Selo Paulista, Baratos Afins (que lançou o vinil original em 1986), vai vender aqui no Brasil, mas não tenho o link deles, vai o gringo mesmo:
https://www.forcedexposure.com/Catalog/mercenarias-cade-as-armas-lp/BEAT.083LP.html
E Abaixo vai o texto sobre As Mercenárias que escrevi:
Há anos Sandra Coutinho e eu "travamos" uma conversa "As Mercenárias eram Punks ou não"?
sexta-feira, 26 de novembro de 2021
É engraçado...
ver você sorrindo por aí
com um belo par de sapatos
vermelhos...
de camurça...
daqui sinto a textura
parece-me meio felpuda...se eu pudesse
a mão
passar...
lembro daquele dia
em que perdemos
tudo numa aposta
cavalos
gols
partidas
a cabeça...
1 gota de sangue pinga no chão...
é curioso...
que numa curva errada
vira-se à direita...
e a sorte muda...
sabe...
eu nunca soube
parar...
piso no acelerador
e me espatifo na parede...
cacos
e ferragens
se espalham
no firmamento
a fumaça
o vapor
nós 2...
uma carteira aberta com cédulas voando
moedas caem ao chão e rolam até o bueiro
nesse caso...uma fumaça não sai do fétido buraco...
não estamos em Hollywood
nem na Roma italiana
é a daqui mesmo...
Soterópolis...no glamour
não há heróis a essa hora da madrugada
gatos aos berros no cio
um calor infernal & nem é verão ainda...
queria que chovesse
com vc ao meu lado...
mas é sempre assim...
vira-se à esquerda
e a bola preta pontua na direita...
vira pr´um lado
espatifa-se no outro.
Coloque uma moeda na caixinha
peça um número
e venha dançar comigo
sem pisar nos meus calos
desprotegidos
da doce camurça Purpúrea
que embala os seus
pequenos pés.
Rodrigo Chagas
sábado, 25 de setembro de 2021
Nova coluna no site Olho Público.
Dia 15 passado, foi inaugurada uma coluna minha, quinzenal, no site Olho Público, dêem uma lida:
https://olhopublico.com/sputter/
quarta-feira, 8 de setembro de 2021
Poema pra você.
Como um garoto tolo
- & inocente -em vão tento
passar as mãos
nos cachos
dos seus cabelos...
Sorrio e seus lábios vão embora
Após a chuva
o arco-íris desaparece
e vc tb...
Nunca soube como lidar
com o toque suave
de suas mãos...
Você vai embora...porta afora...
e nunca saberei
a doçura dos seus lábios
enquanto seus calcanhares
se afastam
do meu
- néscio -
coração.
Rodrigo Chagas
09/09/21
domingo, 25 de abril de 2021
Só um desabafo pandêmico...
Tem sido tempos difíceis... aliás...nunca foram fáceis...apesar de um monte de fracassos na vida prática...eu tive sorte em outros sentidos...e sou grato por isso...grato... gratidão...palavras que estão na moda...e foram diminuídas de sua verdadeira essência...grato o quê...a quem? Não sei...mas fui um cara de sorte...vivi coisas que muitas pessoas não viverão...e isso é uma sorte grande... às vezes precisamos de um farol para nos guiar...esse farol deveria ser nós mesmos...mas às vezes não conseguimos...se tivermos sorte...contaremos com pessoas no caminho que nos ajudarão...e muito...mas não se engane...se vc não se der conta...nem as ajudas serão exergadas...preste atenção em você...no seu egoísmo...no seu amor...mas suas necessidades.. e nas suas felicidades...eu costumava dizer "todos nós estamos mortos... é só uma questão de tempo"...e esse tempo que é o segredo...sobre usá-lo...aproveitá-lo enquanto estamos eternamente vivos...nesses dias de vida...enquanto estamos aqui...depois... não sei...e nem quero saber...tento ser menos pior aqui... senão minha existência será pura dor... aproveitar...e aproveitar os bons momentos...sejam eles poucos ou muitos...ontem uma tia minha faleceu...2a tia esse ano...outro tio meu faleceu ano passado...nem tem um ano...isso me deixa bastante triste...pel@s ti@s que se foram ...pela dor que a morte trouxe...por minha mãe ficar arrasada de ver seu irmão e irmãs irem...eu tenho sorte dela tá comigo...com saúde...de certa forma bem em meio a essa pandêmia...em meio ao luto...tenho a sorte de ter meu pai bem também...dentro da medida do possível que é se estar bem no meio disso tudo... meu sobrinho TB estar bem...minha irmã mesmo distante...bem também...e espero que isso, estar bem, se repita por anos e anos.. se tiver sorte talvez décadas... sinto tanto por quem perdeu alguém...fico feliz por ter amig@s importantes e que amo...fiz poucas coisas na vida ..artisticamente...mas amo cada coisinha que fiz... há uma frustração por não ter feito mais...azar...vacilo...falta de $$...mas ainda quero realizá-las... enquanto isso tento aproveitar a vida da melhor forma...no meio de tantas angústias...prazeres e amores...Enfim... tenho sorte apesar de tudo...fica bem...espero ficar TB.
sexta-feira, 23 de abril de 2021
Sa(r)tori Blues
por uma imagem vi seu misterioso sorriso
- monalístico -
ir para um lugar que não posso tocar...
nem pela tela...
nem ao menos um abraço...
seus cabelos caíram
pelas mãos laminosas
de alguém que invejo não ter sido eu
para tocá-los...
e guardá-los nos meus poros...
seu olhos claros
timidamente
desligam.
Rodrigo Chagas
23/04/21