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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

19/08/05 (2 Poemas)


Você e eu somos uma foto amarelada

em lembranças vivas num papel P&B.

Eu durmo todo dia ao amanhecer.

A chuva toca a janela

e o sol abre as cortinas.

Não suporto mais meus pensamentos...

Minha mente transborda

e lá fora os pássaros cantam o novo dia

que cada vez soa o mesmo.
 

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Velhos amigos de anos passados

se escondem sob a alcunha

de estranhos para mim

na galeria morta

da minha mente caduca.

Alegres dias

são agora poeiras

da memória.

Eu sopro-os ao vento

que nada me traz de volta.

E a barba

continua a arranhar

meu rosto insone.



Rodrigo Chagas
19/08/05.

19-03-05


Na busca desesperada
de alguma coisa
você quer tocar o céu,
mas cai no inferno.
Destroçando corpos,
partindo corações,
afundando sua própria alma
numa lama fétida.
em busca da salvação
a obscuridade de lábios cintilantes
te transforma num tolo.
Os olhos desmancham-se
em lágrimas,
Os membros moem-se em dores.
Você perde a palavra
e o corpo perde a razão.


Rodrigo Chagas
19-03-05.

The Losers Generation


Os rostos dos meus amigos – e amigas-,
que guardo em minha mente,
são de crianças e adolescentes
esperançosos por um futuro promissor.
Muitos deles foram esmagados
e jogados a sub-empregos.
Engolidos pelo sistema,
abandonados pela sociedade.
Uma boa parte deles venceram à sua maneira...
Não que os outros não lutaram, apenas "perderam".....
E é sobre eles que eu quero falar.
A Geração de Perdedores, à qual pertenço.
Os pequenos rostos são o que procuro proteger
em minha mente cansada.
Não gostaria que cada ruga, cicatriz
ou sinal de cansaço que a vida impôs
manchasse o pouco do que lembro dessa tenra época.
Nem os mortos, nem os feridos serão esquecidos
no livro dessa Geração.
Cada um tem seu nome escrito nele.
Seja com dor, sangue ou lágrima.
E até mesmo suor,
nós os escrevemos com dignidade e força,
nós lutamos,
mas "perdemos" se você acredita em derrota.
Em algum lugar esquecido no calendário humano
nós somos mini-heróis.
Em aventuras pelas praias da cidade-baixa,
pela odisséia noturna tentando em vão
salvar a noite perdida.
Nossos escudos eram canções
e a fraternidade da nossa confraria...
É pelos velhos dias que clamo por vossos nomes,
meus queridos irmãos e minhas amadas irmãs.
Pelos momentos em que a bola
e os segredos dos mares
amenizavam o que estaria por vir.
Estamos aqui, décadas depois,
"derrotados" e cansados,
mas de alguma maneira vivos
e estranhamente felizes,
pois somos a Geração dos Perdedores,
e a poesia de participar dela
nos torna mais fortes.
E nos encontramos em algum lugar perdido na nossa memória...
...e nos demoramos lá....
...para sempre...
Por mais que o sexo
e a idade nos proporcionassem novas experiências
é para lá que o clarim soa
e ecoa em nossas mentes.
Vamos lá velhas-crianças,
Pós-adolescentes...
Vamos atender o chamado,
dos dias perdidos,
assim como nós,
derrotados pelo tempo.
Eu lembro e amo o rosto de cada um,de cada uma...
de cada rosto morto pelo tempo......
São eles que eu quero de volta,
Raspo minha barba
e pego o velho uniforme
para entoar convosco
Nossos velhos hinos...



Rodrigo Chagas.
26/08/05.

Bossa Nova

Nosso amor desapareceu
como um passeio que nunca aconteceu
o sol se escondendo no mar
e as crianças no parque a brincar...

velas de barcos brancas no céu azul
o vento bate no meu rosto
e nos leva adiante...
e nesse mesmo instante
eu percebo que nada nunca era para ter acontecido...

nem eu, nem vc...
como passeios inexistentes...
nós nunca acontecemos...
 

Rodrigo Chagas
*Sem data - 2005.
Uma tentativa frustada de escrever uma canção Bossa-Nova.