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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

 

Lembra do que você 
Me falou sobre 
13 do Big Star?
Embora não fosse
O dia mais quente 
Do verão 
Estávamos ainda suados...
Você disse que o 
Rock and roll chegou 
Pra ficar
& eu acreditei...
Hoje ele morreu
Ninguém nos ouve mais
Esqueceram de enterrar o cadáver 
Ninguém veio buscar os restos mortais
nem o mau cheiro
Exala mais
O mofo tomou todo o cômodo 
Fico na sala
Esperando
Os cupins já comeram o próprio pó descartado por seus estômagos...
Restaram apenas as
- empoeiradas -
canções
E minha vã tolice devoção a arte...
Tentei ligar para meu velho amigo...
A voz eletrônica diz que ninguém mora mais nesse número 
Tentei pedalar até o centro
ver se tinha alguma mostra alternativa na Walter
Portões cerrados...
Ladeira abaixo voltei pra baixa cidade...
Fui até a Ribeira...olhei pelas grades vendo se alguém da rapaziada
- ainda -
estaria por lá 
Nem os fantasmas deram as caras
O velho banco estava com os grilhões estourados...voltei pra casa...
Em 2007
Numa noite tediosa
Tripa acenderia um careta
Colocaria The Jam na vitrola
Soltaria uma fumaça em direção ao teto
Esperando a chuva passar
Enquanto a janela aberta molharia a parede do quarto.
Onde fomos parar...todos nós?
O rementente da carta voltou
O telefone não trêmula 
O silêncio da noite 
Entra pelo vão da casa
Sorrio ao lembrar da gente correndo pelas areias da beira mar...
Digo adeus aos velhos tempos...
Fechos os olhos...
E volto a sonhar.

Rodrigo Chagas
07/08/26

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

29/06/08



Pensei
ontem
muito
em você.
Me peguei
divagando
sobre
tua graça,
rosto...
Apanhei-me
imaginando
sobre sua pessoa
desde o alvorecer
até o findo dia.
Tem sido assim
há meses,
semanas,
dias...
Não consigo evitar.
A humanidade
está atada
como uma corda
de caranguejo
cheia de lodo
e lama...
Caminhando para trás
& pros lados,
sem direção...
E cá estou eu
perdido
entre o seu nome
e o teu.

Rodrigo Chagas
29/06/08.

30/08/08


Numa quinta
acordei
acreditando
que era sexta.
&
toda
semana
se

d

e

ses

t

r

u

t

u

r

o

u.


Rodrigo Chagas,
30/08/08.

"in cold blood"


Não adianta
seremos pegos
mais cedo
ou
mais tarde.
Pagaremos
pelo que fizemos
aqui
não há escapatória,
não há perfeição.
"Perdidos!"
diriam,
assim estamos
agora
e
sempre.
Não chore,
apesar
de serem inevitáveis
as lágrimas.
Quando se faz
algo tem
que se pagar
por ele,
pela
sua escolha.
Quando fazemos
está feito
e
pronto.
Não se pode
voltar atrás
e você sabe disso.
Então
siga adiante
agüente as conseqüências
como um homem,
como uma
mulher...
Perry fez
o que
fez
ao apertar
o gatilho,
ao cortar
a garganta...
É a natureza,
não se pode
ir contra
Ela.
Por mais
que você
tente
será
em vão.
Ela sempre
paga
o
nosso
preço.



"eu, sinto muito......"



Rodrigo Chagas
05/01/08.

"A vida é o preenchimento da espera...só não sabemos do quê..."


Os novos ficarão velhos
e os eternos nunca morrerão...
Eu sinto o gosto de menta no hálito dela,
seus olhos azuis,
abaixo dos cabelos vermelhos
de tinta barata,
vejo a raiz negra
depois do couro cabeludo...
Conversamos ontem pela cidade,
andamos até a ribeira,
passando pela beira-mar,
até Roma...
A cidade (é) vazia,
como me sinto agora.
Ela vem pedindo há anos
para eu mudar,
tentar ser melhor,
mas não adianta...
Venho sonhando com isso há tempos,
e assim mantenho-me vivo.
Sonhos,
esperanças
& ilusões.
É o que nos faz continuar,
pouca coisa além disso, acredite.
Uma dia em vão,
passei a noite
deitado na janela,
fazendo pose & bebericando uma cerveja,
sem álcool,
porque era a única
que tinha na geladeira do meu pai,
a garota não apareceu
e pareci um idiota,
achando que em algum lugar
alguém me assistia...
Você chegou de tão longe,
depois de anos morando fora
e cá estou eu
o mesmo
e isso não é bom.
Quando se é jovem isso é poético,
mas agora,
nem eterno pode ser.
E as canções seguem
& os carros
com suas luzes vermelhas borradas
ficam de costas para mim.


Rodrigo Chagas.
10/12/08.

1 Canção Para Walt Whitman:


Preciso tomar um banho
para limpar os Meus pecados
do Meu corpo.
Quando não se tem Jesus
um bom chuveiro resolve.

Uma ducha

para

lavar

suas

angústias

escoando

tudo
e
todos

para

fora...

Outro dia estava com meu Pai
tirando um enorme rato morto
do meio de uns velhos tonéis
cheios de água que nunca usamos
"para quê isso cheio?"
perguntei para
meu velho progenitor
"água para reserva", ele me disse
apesar de nunca a bebermos...
A água continua no reservatório
e precisei girá-los para poder
achá-lo,
o rato,
daqueles enormes,
já podre,
fedendo pra porra,
e me dei conta,
depois de ficar
viajando pela podridão
daquele odor
que me inspirava
o repúdio...
Pensei que a vida fedia,
pois a morte provém dela,
mas percebi
que na verdade
a morte fede,
até mesmo uma flor morta
perde seu perfume...
Outro dia um garoto
teve sua cabeça cravada de balas
bem perto de minha rua
enquanto eu acordava
ele morria...
Pessoas,
ratos,
flores
e a humanidade
têm um cheiro
ruim...
E pelo ralo
a chuva que caia
na nossa cidade
tentava em vão
lavá-la
dos nossos
pecados
&
Sujeiras
por isso que ela sempre entope & inunda...
Não importa o tamanho do nosso Jesus
nem da potência
de nosso
chuveiro.



Rodrigo Chagas,
Salvador,
18/04/08.

15/06/08



Eu matei uma flor
pare te dar,
mas você sabe
nada
- nem ninguém -
vive para sempre.
Não me importo
com o rumo da humanidade.
Para onde ela está indo,
ou coisa assim...
Nós jogamos muito alto
e não vamos parar.
Se der o número 13 vermelho
ou não
pouco importa...
Eu matei um cara
e o que tenho
para lhe orfertar?
2 corpos talvez
e o meu começa
a despetalar-se...
Não tenho dinheiro p/pagar
nossas apostas
mesmo assim
dados
continuam
à rolar
pela mesa........


Rodrigo Chagas
15/06/08.

12/12/08


vertentes de cores mortas
iluminando o abajur da sala.
o fio condutor de tudo
está solto das paredes
do quarteirão da minha cabeça.
cabaços/candelabros,
mentes-luminárias
foram se apagando
de meu cérebro.



Rodrigo Chagas
12/12/08.

10/06/08


Estação da Lapa,
2 da manhã.
1 luz trêmula
ilumina um gato
à espreita.
Todas as noites
vejo roedores,
dezenas deles,
passeando por lá.
Fico observando
por algo...
Uma "louca" passa sorrindo
(Não sei de quê),
comendo o resto de uma quentinha,
provavelmente encontrada no lixo.
O felino se assusta
e sobe as escadas...
Minutos depois
avisto outro,
esperando...
Mas não há ação esta noite.
Meu pernoitão chega
e tenho que ir...
Onde há gatos
ratos não aparecem.

Rodrigo Chagas
10/06/08.

MCMXL


Eles estavam lá
Sentados na praça,
de madrugada,
entre placas de mármore
que mais pareciam
lápides de cemitério,
enquanto discutiam
sobre a vida
e que diabos de ano
era aquele que estava gravado
nas placas,
números romanos
nunca foram
o forte deles...
Passavam entre as mãos
uma garrafa
que continha um trago
& não era dos melhores.
O que esperar
nessa cidade?
Carros passam longe
& garotas mostram
os seios
distantes - e velozes - demais
p/eles,
suas mãos
e amores...
mas nunca
para seus sonhos
& desejos.
Lá estavam os rapazes
de sapatos furados
e calças surradas.
Fazia um pouco de frio,
mas nada que o conteúdo etílico
não tratasse de apaziguar....
E assim
a noite
e os carros
e os sonhos
foram passando
na cidade.....
O esgoto
se juntava as ondas
do mar
e a solidão
fazia
cada um viver
seu mundo.
Assim é aqui.
O sinal fecha
& 1 carro bate.

Sangue
 nos
Jornais ! ! !

Rodrigo Chagas,
08/06/08.

27/06/08


Sonhei
que um gato
entrava
em minha boca.
Ele dizia
que havia
um Demônio
dentro
de mim.
Estava tentando tirá-lo.
Morloch!
Assim era
chamado
o Demônio
que habitava
minhas entranhas.
Em vão o felino
tentou
  &
tentou...
Mandou-me
ir numa Sinagoga,
mas eu não sou Judeu...
"Então reze, reze..."
Contei o ocorrido
p/um amigo Rabino.
"É um chamado de Du´s
para você reencontrar
seus ancestrais"...
Outro camarada
falou que Morloch
era o Senhor das Lágrimas
e que trazia o frio consigo.
Na mesma Noite
- & Sonho -
Uma Profecia
anunciava
que a Terra estava enferma
pois as pessoas eram enterradas
com suas doenças nela.
Quem morria de câncer
deveria ser sepultado
com cimento vedado
ou
em caixas
metálicas soldadas.
Só assim
descontaminaríamos
o Solo Sagrado...
Naquela noite
o inverno
chegou.

Rodrigo Chagas
27/06/08.

28/06/08



Chegou,
olhou o mar,
o farol,
a brisa
e toda a extensão da praia.
Desafrouxou
a gravata,
tirou o paletó
e os sapatos...
Sentiu a areia
nos pés,
aquela sensação
estranha que dá
ao pisar nos grãos
calçados
com as meias.
Colocou a valise
do lado direito
a as roupas
do esquerdo.
Tirou da maleta
uma Colt 45.
Bala na agulha
reluzindo ao pôr-do-sol.
Levantou a arma,
na altura da fronte,
disparou 1 tiro.
Matou 2 andorinhas.
Pensou que seria
mais fácil
atirar
em si mesmo.


Rodrigo Chagas
28/06/08.

Technicolor


White people,
Black people,
Yellow people,
Red people,
Blue people...
I´m tired
of these
fuckin´ colors...

 
Rodrigo Chagas.
23/01/08.