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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

05/10/09


O demônio da esperança
está sempre a tentar-me.
Rondando meus pensamentos,
fixa-se em minha mente
& nela faz seu habitat,
iludindo-me com
o amanhã,
o por vir.....
Além & adiante.
Enganar é acreditar
em algo não existente
presente
no real.
Aparecendo apenas
na minha projeção:
O futuro.


Rodrigo Chagas.
05/10/09.

03/09/09


Eu tive um sonho:

Jesus era uma grande
bomba flamejante
descendo firmamento abaixo
de nossas cabeças.

Como na profecia bíblica
o mundo ardia
- & se acabava -
em chamas....
2 garotas pele & osso
dançavam alegremente
- enquanto suas peles soltavam -
e seus esqueletos
desintegravam-se
ao som frenético de trombetas
ensurdecedoras.

Eu de lá do alto
de um edifício pensava:
"Agora não existem mais pás
para enterrar à areia no cemitério".


Rodrigo Chagas..
03/09/09.

09/06/09



Lá estava o velho homem
   - sozinho -
Seus filhos eram vivos,
mas há muito não o visitava.
Seus pais mortos,
há décadas,
dezenas delas,
apareciam
ali & aqui,
lá & acolá,
todos os dias
para visitá-lo.
A esposa,
o sexo,
tinha
um bocado
de tempo
que o abandonara.
Esse tempo
implacável
& muitas vezes
cruel
- como dizem por aí-
materleva no tique-taque
dos seus raros cabelos...ao vento

Rodrigo Chagas
09/06/09.

18/03/09

Uma mulher
com um bêbê
de colo
nos braços
entra
no banco
na hora
mais quente
do dia.
Ele sorri,
aliviado,
ao sentir
o frio
do ar-condicionado.
Apesar de não saber
exatamente
o que seja
o frio
e as condições do ar.
Você deu ao amor
um nome moderno,
mas não há nada
de novo
sob o sol escaldante
de São Salvador
da Bahia.

Rodrigo Chagas.
18/03/09.

30/03/09


Pés que tocaram o solo
de um cemitério
jamais pisarão
o chão de minha casa.
- desculpe -
são costumes antigos
aprendidos com minha mãe,
mesmo que eu não acredite
neles
sigo assim
com eles em minha mente
até ela quebrar
e todos saírem.
Dizem por aí
que as pessoas que morrem
vão embora
porque já cumpriram o papel
que vieram na terra fazer...
nessa eu não acredito.
se assim fosse
1 bêbê
que nasce e morre
serveria apenas para
lascar a vagina
ou
a barriga da mãe?
dilacerar o coração dela
e do pai?
Não me venham com essa...
estamos jogados aqui
nesse mundo,
assim como as formigas,
os insetos
e as flores do outono
que flutuam nos ares...
Hoje acordei com 30
anos
até quando?

Rodrigo Chagas
30/03/09.

Brincando com as palavras III:

 A vida nada mais é
do que uma questão
de gostos
& desgostos.
& eu a muito
contra-gosto
estive por aqui
& (que) pôr ali.


Rodrigo Chagas.
30/05/09.

"Canção da despedida"


Olhos de Girassol,
de afrescos
pintados
em sistinas
italianas...
Qual lágrima
vertida
por mim
veio
dos teus
olhos?
From the blue
or the
green
side?
Eu não
sei...
Do farol
vermelho
no fundo
do teu
carro
eu vejo
você
& o sol
se
pondo...


Rodrigo Chagas.
06/11/09

"Kontinuaren"

Certa feita
uma garotinha
perguntou-me
se antigamente
o mundo era
em P&B
Já que
as velhas
fotos não eram
coloridas...
Hoja cá
estamos
entre fotogramas
digitais
& o mundo
às vezes me parece:
CINZAS!
"-Você só fala
em se matar,
seu egoísta!
Não pensa na dor
dos que ficam".
Egoísmo maior
são vocês
viverem
- continuarem -
esse
mundo
sem
mim.

Rodrigo Chagas
15/04/09.

21/10/09




Tem uma pasta de dente
aqui no banheiro
que minha irmã comprou ontem,
no mercadinho aqui da rua.
É de um forte azul
- intenso,
escuro,
marinho -
parece tinta guache,
lembra-me
um vidro de tinteiro
para canetas
Parker
que eu comprava pra meu pai
quando criança
num armarinho aqui perto,
na papelaria não tinha...
É de uma coloração/textura
fascinante,
embriagadora,
me força,
hipnotiza-me,
a usá-la.
É cada coisa estranha
que levamos a boca.
Diz na embalagem
que os meus dentes ficarão
mais brancos,
brilhantes,
mas isso nunca aconteceu,
e não irá jamais ocorrer,
tudo enganação,
me lembra
essas pencas
de religiões
que encontram-se
agora
nos lugares
de cinemas,
teatros,
televisões...
Em todos os ambientes
e templos,
sem exceções.
Vendem
esperanças
branqueadoras
não importa o preço,
só a - eterna - espera.
Enquanto a escova
circunda meus dentes,
gira em seu redor,
grunho um refrão
de uma antiga canção,
que somente eu reconheço,
nesse barulho estranho que faço.
Vou relembrando as coisas que você
me falou,
que conversamos ao longo desses anos...
Estou cansado de recordações,
resolvo mais uma vez
ficar pra esta noite,
mais escura
que a cor azul intensa
que cuspo pelo ralo da pia.
Abro a torneira
e não há água para
lavar a sujeira azul celeste escura.


Rodrigo Chagas.
21/10/09.

"Do escárnio/fez-se a Carne"


Era minha amiga
e agora
está:
   
      Morta!

Como casca de ferida
que você
   coça
    &
arranca.
      - sem sangrar -

lá estou    eu.
27/ de/ Agosto/ de/ 2002.
Vestido de paletó
sem dormir.
sem ba(rba)nho.
Ela aparece
com seu sotaque
estranho.

Levanto do banco
- cuspo no chão-
deveria ser na cara.

Vou caminhando até a feira de São Joaquim.

Antes do cuspe
secar
a garota
desaparecerá.

Cheiro São Joaquim
como esgoto
  &
frutas novas....

Irimiás
dança
1 Tango
c/Satã
 &
declama
1 poema
fúnebre
em
preto-e-branco.


Rodrigo Chagas.
20/04/09....

"Eu pensei que ali fosse o mar/mas era lama"


& as pessoas dançam
ao redor da mesa...
& rodopiam
em torno dela.
Sobre o móvel
está meu corpo,
O cadáver imóvel
enquanto os outros corpos
balançam...
Chacoalham
como bandeirolas,
antenas de carrinhos
da minha infância...
A minha vida
foi um Tango,
apesar de eu viver
o Rock........
Não bailei
nem com Satã,
nem com Jeovah
& muito menos
com outras
divindades...
Eles celebram o éter
& bebem o álcool.
Giram dando os braços
uns aos outros
&
circundam
o mundo.


Rodrigo Chagas.
31/05/09.

18-09-09

cada minuto é uma pluma levada ao vento
em direção ao norte
do mar
& a morte
chama-me
sussurrando
teu nome
calo-me
os meus
pés se molham
com as ondas
bravas
que vem
do lado
oposto
ao seu
e cá
estou
eu
&
você
em direção
a Vênus
morando
em Marte
Júpiter
eu peço
anéis
à
Saturno
e vc diz
não.

Rodrigo Chagas.
18-09-09.

21/07/09

O dia nasceu
como se a luz
fosse um
fósforo
riscado
rasgando
o firmamento,
afastando-o
da escuridão...
Na minha
fronte
cabelos
poucos
ainda
crescem
na
frente
onde
possuo
olhos
que somente
enxergam
pra trás.
Um velho
ditado
zen
pergunta
como soaria
o aplauso
de apenas
uma palma,
eu indago
quão amigável
seria
um aperto
de mão
solitário.


Rodrigo Chagas
21/07/09.

06/03/09

A chuva fina
molha a relva,
lá no alto
consigo
ver
as pradarias,
reticentes...
Os ratos da lua
estão distantes
ao nascer do sol.
Sem luz
aqui onde estou,
Não por atraso,
mas pelo progresso,
de tão longe
que por essas bandas
ainda não chegou.
Apago a lamparina.
Claro o dia agora.
Todos os armazéns
vazios.
Homens, mulheres
& crianças
estão por chegar,
um dia.
Aí me vou
& meu espaço fica..
Espero ficar velho
antes de morrer.


Rodrigo Chagas,
06/03/09.

existir
é
insistir
no
absurdo
de
viver.

"A angústia do Ser"

Rodrigo Chagas.
12/12/09.