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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

"Um poema concebido quando o dia ainda era noite..."


Há um vazio
no canto direto
da porta.
Nenhum
enquadramento
barroco
pode
ser
registrado
pela
íris
moderna
do meu corpo.
Encontro
toscos
desenhos
teus
no
caderno
onde
haviam
promessas
não mais
lembradas.
Apenas
o oco
na minha
memória.
Estão
ali nomes
escritos
de pessoas
que nem
mesmo sei
quem são.
Venho
exercitando
o esquecimento
ao longo
dos tempos.
Nas páginas
do livro
quase
desintegrado,
Spengler
afirma
sobre
a história
ser
insentimental
      &
sem compadecimentos
daqueles
que se julgam
sentimentalmente.
E toda essa
estória
esquecida
que
não me
fora esclarecida
pelos
próprios
túneis
do meu
tempo?
Uma
placa
noturna
nos dias
enfumaçados.

. . .

Há um lado
esquerdo
no canto vazio
de minha janela.

Rodrigo Chagas
14/05/10.

16/05/10

Sem a vida


não existe


à arte?


Quanta bobagem,


embora dos


meus vivos


ouvidos


li mãos mortas,


de falecidos punhos


escutei vozes


existentes


que há muito


se foram...


Impedido de viver,


na arte


fui morrer...


Você me diz


que eu deveria


mudar essas


últimas


sentenças,


palavras &


proposições,


tudo bem.


Abra em qualquer


parte um livro


& escute sua canção.






Rodrigo Chagas


16/05/10.

08/04/10


& a
chuva
chega
chove
mais
que
a
cântaros.
Des-brinda-nos
com
mortes
&
desastres
- que deslize -
Trovões
chacoalham
anilmente
o
escuro
do firmamento,
iluminam
as trevas
da
preta
noite.
Essas
gotas
não
trazem
o frio,
apesar
dos
gélidos
cadáveres
nos
escombros
marrons
do
concreto
cinza.
O
calor
dos
inferno
continua
sob
o céu
de lama.
Acima
dos
meus
pés
a água
transborda
o meu cálice.

Rodrigo Chagas
08/04/10.

01/08/10

"Rasgue 1o antes de ser dilacerado".
Foram essas as 1as palavras
que vieram-me num dia
do ano anterior.
As palavras destroem as idéias
& as letras constroem
toda o palavrório
idealizado pela humanidade.
Globos oculares
são necessários
para transmitir
a leitura.
Meus ouvidos
captam
as cordas vocais
que ecoam
pelo firmamento.
Estou semi-nu
em sua cama
escrevendo tudo
isso,
sujo,
vindo da privada,
pois apesar
de acreditar
na destruição
dos pensamentos,
escrevo...
Acreditando,
antes de banhar-me,
que o esplendoroso
está por vir
de minhas
Mãos.

Rodrigo Chagas
01/08/10.

07/10/10

5
estrelas
nos meus
olhos.
Glóbulos
oculares
como
constelações...
Acima do solo,
firmamento  abaixo.
Daniel
escreveu
uma parte
do
antigo
livro,
nas páginas
finais
do novo,
esperam
(eles)
o  Messias.
Ando eu
sozinho
na cidade-baixa,
em círculos,
no Largo
de Roma.
Não existe
1 Papa,
não há
outro
Nero.
Somente
Eu & a bandeira
rasgada,
em sua
notívaga
jornada,
a flamular
na quente
escuridão
desse dia.
E caso
meu
corpo
morra
sob o aço
- em terras estrangeiras -
envie-o
de volta
num caixão
de metal
como aquele
da Conselheiro Zacarias.
(é pra isso
que  ele serve,
p/longas jornadas...
Assim explicou-me
o velho negro
da funilaria).

Rodrigo Chagas
07/10/10.

Um poema que desmoronou.


Pedro
percorreu
toda casa
até
pairar
na
escada.
Apertou
30
X
o interruptor.
Desceu
a sacada,
apunhalou
um ovo
& a
gema
escorria
feito sangue,
mas
era
amarelo
remela,
o colorido
de um
só tom.
Avistou
um
disco...

"Canções
não
me
dizem
mais
nada".

Abotoou
a camisa,
escancarou
a porta
dizendo:

"- Adentre,
Avante,
antes
que
o passado
saia
mundo
afora
sem
saber
o que
perdeu..."

De repente
o sol
entra em cena
e meus
dedos
caem
antes
que o poema
ter
mi
n
.
.
.


Rodrigo Chagas
07/10/10.

"Um Poema Capitalista"


Caminho pelo Shopping...
Através da vitrine
vejo belas pernas
de 1 garota
com um shortinho jeans
desfiado,
adentro
a
loja
sem ao menos
saber do que
se trata,
do que
é vendido...
A moça
revela-se
não tão
jovem,
mas ainda
assim normalmente
bela.
Entre os copos,
xícaras,
passam
meus
olhos...
Por mim
um bebê
num
carrinho
&
sua mãe
empurrando-o
ultrapassam
minha existência.
Paro defronte
a um conjunto
Tramontina
admiro-o,
sem ao menos
gostar,
passo o
dedo
na faca,
a sensação
fria
do
inox,
mas
a navalha
não me
corta.
Hoje é um
dia como
qualquer
outro.

Rodrigo Chagas
21/10/10.

II Poemas num dia só.


I

Venho sonhando
com amigos
falecidos
há dias,
eles
não sabem
que estão
mortos.
Trovoadas
cinzas
ecoam
no estrondoso
firmamento
soteropolitano.
Acordo
&
volto
a
dormir
com o Armagedom.
Os evangélicos
disseram
que o mundo
acabaria
em 2000,
os Maias
anunciaram
em 2012,
& ninguém
acerta
a
banana
da catastrófica
profecia..

II

O verão
atravessa
o ano,
o punhal
a carne,
só você
não ultrapassou
a minha existência.
Ficou lá,
encravada,
- empacada -
na estação
anterior,
nem mais
presa nela
hoje está.
Abri a gaiola
da
mente,
restando
apenas
água
suja,
merda
&
migalhas
secas.
2013
atravessou correndo
em minha frente,
na sala de estar
de nossas casas.

Rodrigo Chagas
13/01/10.

20/01/10

Olhe
entre
os
espaços
das
cores
nas árvores
dentre
os
vales
e
o oceano
azul
dos
teus
olhos.

Índios
vermelhos
como minha
bisavó
escalpelam
um eunuco
na
praia
de
Boa Viagem.

Dedos
tortos
tocam
teclas
de
um
piano
preto
&
1
nariz
adunco
baila
no meu
salão.

Navios,
naufrágios,
sufrágios...

Dance
comigo
esta
última
quimera
na
cratera
lunar.

Dançar
até
meu

calar.

Silêncio!

O
Espetáculo
começará
em
alguns
minutos
antes
do
fim.

Pronto.

Iniciou-se
agora
pra
daqui
a
pouco.

Rodrigo Chagas.
20/01/10.

Rachael´s Kiss

Raquel está no altar
Com seu noivo,
o Padre
e um Jesus
empoeirado.
Olhando-a
dou-me
conta
de
que não
possuo
mais
aqueles
beijos,
buracos,
sorrisos
e poros...
Tão pouco ela
os meus....
De certa forma
até fiquei feliz por isso
- e certamente o noivo
dela mais ainda...
Pensei
que poderia
ser eu ali
no púlpito,
como nos
planos desfeitos
num sábado
à  tarde.
As músicas
da cerimônia
eram
outras,
o quase-marido também,
mas os parentes
eram
os mesmos...
O Pai,
a mãe...
Penso neles
passando o sal
pra mim
num jantar
há décadas
atrás,
numa mesa
gigante
&
agora distante.
Não sinto ciúmes
- ou tristezas -
mas penso
que um dia
projetei
estar ali...
Na verdade eu estaria
numa igrejinha
no Humaitá,
não
naquela badalada
- e cara -
Catedral...
Estão ali
eles
e o Deus pendurado,
crucificado,
ferido por mãos romanescas...
Nesse momento penso
que gostaria ser como J.F. Sebastian
em Blade Runner.
Morar num prédio vazio & abandonado,
cheio de goteiras e poeiras...
elevadores de grades enferrujadas...
sozinho....
alimentaria-me das lembranças e recordações
dos outros...
Morar em cada apartamento,
dormir em seus quartos
que não foram meus
e pensar em seus momentos,
enrolar-me nos lençóis
que embalaram outros sonhos...
Viveria cada foto como se fosse minha,
afinal depois de tanto tempo,
o que realmente
é nossa construção
do passado ou a verdade...
Penso em Jeovah
e sinto-me como
um replicante
desesperado
segurando uma pistola.
Procurando por
padres,
pastores,
bispos,
babalorixás,
monges
e qualquer um
que pudesse
me dar o endereço
exato do criador...
Minhas perguntas
seriam como balas
atravessando minha garganta
e explodindo direto em suas cabeças...
Raquel beija o noivo,
não sou eu naquele
momento...
Um dia falei
"De todas as moradias da Tentação
a do Coração é a mais antiga"
Ela consentiu
e
desapareci
pelas veias & vielas
de sua vida.
(Ah! A existência
sem ela o que seríamos.
inexistentes...).

Rodrigo Chagas
18-01-10.

Outros 2 peomas num mesmo dia.


Apesar de não ser
amanhã
hai de ser
outro dia.
Embora
o
refrão
soe
familiar
é outra:
A canção.
Assim
como os esquimós
diferenciam
dezenas
de alvas
cores
os notívagos
enxergam
diferentes
pontos
negros
na
escuridão.
Puxo o ar
para dentro
do peito
& meus
pulmões
ardem
- chamas -
em pleno
verão.
Costumava-me
falar,
você,
do meu
tão
desajeitado
jeito
que nem
mesmo
aspirar
eu sabia.
Nessas
quase
31
estações
vividas
o
natural
não
me é
ainda
conhecido.

Rodrigo Chagas
14/03/10.


-----------------------------


Horas
tem
que
um
poema
deve
tomar
seu
rumo
próprio.
Lançado
como
um
foguete
ao
vácuo.
Guardados
fora
da
minha
cabeça/gaveta,
sem direção.
Palavras
lidas
por
outras
idéias
sem
meus
olhos
dedos
coordenação.

Rodrigo Chagas
14.03.10

Cinema


Na tela

projetada

imagens

de fotogramas

em movimento.

Momentos

não mais

existentes

perpetuados

pela

sua

exibição.

Pagamos

caro

&

esperamos

na longa fila

para

sermos

meros

expectadores

numa

película

que nem

ao menos

sabemos

qual

a sua

direção.

Pensas

que

o fim

nunca

chegará

para

ti?

Enquanto

cochilas

nem

próxima

sessão

mais

terá.

Lanterninhas

sem

pilhas

amaldiçoam

a escuridão.

Tlac,

tlac,

tlac...



Rodrigo Chagas

03/03/10.

03/09/10



Quando
teu rosto
      resplandece
na face
obscura
de minha memória.
2 mãos
na garganta
frágil
- & quebradiça -
de 1 galinha
ensangüentada.
Rodopiam
as saias,
atiçam
os braseiros
e seus olhos
fitam-me
no azul
do céu
além
do que
se pode
enumerar.
Circundeiam
os pés
rosados
outrora
sujos.
Pretos
cabelos
caem
jazidos
na terra
onde
à água
repousa
em meu
colo
dos
seios teus.
A escuridão
foi-se,
junto-me
a ela,
quedo-me
a ti.

Rodrigo Chagas.
03/09/10.

28/01/10


    Qual de nós
    veremos
    o novo
    ano
    ainda
    não
    nascido?
    As pombas,
    os prédios,
    as pedras na calçada...
    lá estarão...
    provavelmente...
    um
    de nós...
    Talvez...
    Teremos
    o outono,
    o calor,
    e toda baía
    em
    sua verde
    extensão.
    Somente os olhos
    podem
    ver essas cores...
    deixe
    ver-me
    verme
    que de mim
    tirará
    a existencia
    &
    tudo
    aquilo
    que ainda
    se pode enxergar.
    É possível
    que não
    estéjamos,
    apenas o calendário.
    E quem se importa
    com o fim?
    Apresente-me
    um melhor
    e aceitarei-o.
    Como as crianças
    que agora
    refrescam-se
    na piscina
    edifício
    abaixo.

    Rodrigo Chagas.
    28/01/10.