quinta-feira, 17 de março de 2011

- Mahler -

"Eis a minha Hora".
 Disse - eu - Triunfante
perante aos
meu detratores,
60 anos após meu falecimento.
Hã?
Não pergunte-me 
como, 
afinal
estarei
M
o
rto.


Rodrigo Chagas
17/03/11.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

"Um poema concebido quando o dia ainda era noite..."


Há um vazio
no canto direto
da porta.
Nenhum
enquadramento
barroco
pode
ser
registrado
pela
íris
moderna
do meu corpo.
Encontro
toscos
desenhos
teus
no
caderno
onde
haviam
promessas
não mais
lembradas.
Apenas
o oco
na minha
memória.
Estão
ali nomes
escritos
de pessoas
que nem
mesmo sei
quem são.
Venho
exercitando
o esquecimento
ao longo
dos tempos.
Nas páginas
do livro
quase
desintegrado,
Spengler
afirma
sobre
a história
ser
insentimental
      &
sem compadecimentos
daqueles
que se julgam
sentimentalmente.
E toda essa
estória
esquecida
que
não me
fora esclarecida
pelos
próprios
túneis
do meu
tempo?
Uma
placa
noturna
nos dias
enfumaçados.

. . .

Há um lado
esquerdo
no canto vazio
de minha janela.

Rodrigo Chagas
14/05/10.

16/05/10

Sem a vida


não existe


à arte?


Quanta bobagem,


embora dos


meus vivos


ouvidos


li mãos mortas,


de falecidos punhos


escutei vozes


existentes


que há muito


se foram...


Impedido de viver,


na arte


fui morrer...


Você me diz


que eu deveria


mudar essas


últimas


sentenças,


palavras &


proposições,


tudo bem.


Abra em qualquer


parte um livro


& escute sua canção.






Rodrigo Chagas


16/05/10.

08/04/10


& a
chuva
chega
chove
mais
que
a
cântaros.
Des-brinda-nos
com
mortes
&
desastres
- que deslize -
Trovões
chacoalham
anilmente
o
escuro
do firmamento,
iluminam
as trevas
da
preta
noite.
Essas
gotas
não
trazem
o frio,
apesar
dos
gélidos
cadáveres
nos
escombros
marrons
do
concreto
cinza.
O
calor
dos
inferno
continua
sob
o céu
de lama.
Acima
dos
meus
pés
a água
transborda
o meu cálice.

Rodrigo Chagas
08/04/10.

01/08/10

"Rasgue 1o antes de ser dilacerado".
Foram essas as 1as palavras
que vieram-me num dia
do ano anterior.
As palavras destroem as idéias
& as letras constroem
toda o palavrório
idealizado pela humanidade.
Globos oculares
são necessários
para transmitir
a leitura.
Meus ouvidos
captam
as cordas vocais
que ecoam
pelo firmamento.
Estou semi-nu
em sua cama
escrevendo tudo
isso,
sujo,
vindo da privada,
pois apesar
de acreditar
na destruição
dos pensamentos,
escrevo...
Acreditando,
antes de banhar-me,
que o esplendoroso
está por vir
de minhas
Mãos.

Rodrigo Chagas
01/08/10.

07/10/10

5
estrelas
nos meus
olhos.
Glóbulos
oculares
como
constelações...
Acima do solo,
firmamento  abaixo.
Daniel
escreveu
uma parte
do
antigo
livro,
nas páginas
finais
do novo,
esperam
(eles)
o  Messias.
Ando eu
sozinho
na cidade-baixa,
em círculos,
no Largo
de Roma.
Não existe
1 Papa,
não há
outro
Nero.
Somente
Eu & a bandeira
rasgada,
em sua
notívaga
jornada,
a flamular
na quente
escuridão
desse dia.
E caso
meu
corpo
morra
sob o aço
- em terras estrangeiras -
envie-o
de volta
num caixão
de metal
como aquele
da Conselheiro Zacarias.
(é pra isso
que  ele serve,
p/longas jornadas...
Assim explicou-me
o velho negro
da funilaria).

Rodrigo Chagas
07/10/10.

Um poema que desmoronou.


Pedro
percorreu
toda casa
até
pairar
na
escada.
Apertou
30
X
o interruptor.
Desceu
a sacada,
apunhalou
um ovo
& a
gema
escorria
feito sangue,
mas
era
amarelo
remela,
o colorido
de um
só tom.
Avistou
um
disco...

"Canções
não
me
dizem
mais
nada".

Abotoou
a camisa,
escancarou
a porta
dizendo:

"- Adentre,
Avante,
antes
que
o passado
saia
mundo
afora
sem
saber
o que
perdeu..."

De repente
o sol
entra em cena
e meus
dedos
caem
antes
que o poema
ter
mi
n
.
.
.


Rodrigo Chagas
07/10/10.